Friday, 27 March 2026

DTi >> Turismo é economia.

 

O Modelo de Negócio dos Destinos Inteligentes: Precificando a Longevidade.


Os chamados Destinos Inteligentes (Smart Destinations) romperam com a visão tradicional de hospitalidade. Eles não vendem mais apenas "hospedagem e lazer"; eles precificam a extensão da capacidade produtiva e vital do indivíduo. Sob essa ótica econômica, o turismo de saúde é o investimento que o viajante faz para "comprar tempo" e continuar consumindo no futuro.

A Monetização do Bem-Estar Pleno

Nesses destinos, o serviço é estruturado como um ativo financeiro. A precificação não se baseia no custo da infraestrutura, mas no valor agregado do conhecimento e da tecnologia aplicada, como: (i) check-ups de alta performance: Protocolos médicos avançados são vendidos como "manutenção preventiva" para investidores e executivos que não podem se dar ao luxo de adoecer; e o (ii) Biohacking e terapias de longevidade: O destino oferece acesso a tratamentos (genética, terapias regenerativas) que ainda não são comoditizados, cobrando um prêmio pela exclusividade e inovação.

Eficiência de Fluxo e Dados

Um destino inteligente utiliza a tecnologia para maximizar o gasto per capita por hora de permanência, por meio de (a) Ecossistemas Integrados: Hotéis, clínicas e centros de bem-estar compartilham dados (com consentimento) para criar uma jornada de consumo sem atritos. Se o turista investe em uma cirurgia, o ecossistema já oferece a recuperação em um resort de luxo adaptado, transformando a convalescença em faturamento turístico, e o amplo uso de (2) Infraestrutura como Ativo Econômico: Diferente do turismo cultural, que muitas vezes sobrecarrega a cidade com baixo retorno financeiro, o turismo de saúde atrai um público disposto a pagar por serviços de alta complexidade, gerando impostos e empregos técnicos de alto nível.

Turista como “investidor de si mesmo". 

O conceito do turista como "investidor de si mesmo" reflete a transição para a chamada Economia da Transformação, um estágio evolutivo após a Economia da Experiência teorizada por Pine e Gilmore. Nesse cenário, o deslocamento deixa de ser uma busca por lazer passivo para se tornar uma alocação estratégica de capital em capital humano. Relatórios recentes do Global Wellness Institute (GWI) apontam que o turista de saúde gasta, em média, 130% mais do que o turista comum, pois ele não compra apenas um serviço, mas um resultado mensurável em sua biologia e produtividade. Ao adquirir pacotes que integram workshops de saúde mental e consultas genéticas, esse viajante está, na verdade, mitigando a depreciação do seu próprio corpo, tratando a viagem como um aporte de ativos em sua longevidade.

A precificação nesses DTi (destinos inteligentes) ignora as métricas de massa para focar no VPL (Valor Presente Líquido) da saúde individual. Durante o Global Wellness Summit, especialistas discutiram como a "longevidade como serviço" está redesenhando o marketing dos DTi (smart destinations): a promessa central não é mais o cartão-postal, mas a autonomia funcional. O turismo torna-se utilitarista e preventivo, onde o destino é validado pela sua capacidade de oferecer conhecimentos técnicos e intervenções que garantam que o indivíduo permaneça na "malha aérea do consumo" pelas próximas décadas. É uma lógica de mercado circular: investe-se em saúde em Bruxelas ou nos spas médicos da Suíça para assegurar a vitalidade necessária para explorar o mundo amanhã.

Por fim, essa mudança de paradigma redefine o impacto do turismo na economia local, migrando da exploração de recursos socioculturais para a valorização de ecossistemas de alta tecnologia. Conforme discutido em fóruns de Destinos Inteligentes, a infraestrutura urbana é planejada para suportar essa "Economia de Saúde", onde o conhecimento é o produto de exportação mais valioso. Ao tratar o turista como um investidor, os destinos criam uma barreira de entrada contra o turismo predatório de baixo custo, atraindo um público que vê o gasto com saúde transfronteiriça como a ferramenta definitiva para manter sua relevância econômica e social. O sucesso de um destino, portanto, passa a ser medido pela sua capacidade de entregar ROI vital, e não apenas ocupação hoteleira. 

Enquanto isso, no Brasil, em 2026, ainda vejo Prefeituras Municipais colocando o turismo no guarda-chuva social, cultural ou esportivo, erro do passado, que não trouxe resultados qualitativos, ou seja, continuamos o mesmo País de “potencial” com um fluxo turístico menor que cidades ou País com bem menos atrativos, porém MAIS INTELIGENTES e focado no mercado. 

Avante,  seguimos, 


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Ref Bibliográfica:

GLOBAL WELLNESS INSTITUTE. The Global Wellness Economy: Looking Beyond COVID. Miami: GWI, 2021. Disponível em: https://globalwellnessinstitute.org/. Acesso em: 22 mar. 2026.

GLOBAL WELLNESS SUMMIT. Global Wellness Trends Report: The Future of Wellness. Miami: GWS, 2025. Disponível em: https://www.globalwellnesssummit.com/. Acesso em: 22 mar. 2026.

PINE, B. J.; GILMORE, J. H. The Experience Economy: Competing for Customer Time, Attention, and Money. Updated Edition. Boston: Harvard Business Review Press, 2011.

PINE, B. J.; GILMORE, J. H. The Transformation Economy: The Four Economic Stages of Progress. [S.l.]: Harvard Business Review, 2019.

SEGITTUR. Informe de Destinos Turísticos Inteligentes: Construyendo o futuro. Madri: Ministerio de Indústria, Comercio y Turismo, 2023.


Imagem:

Disponível no Website Paraíba News

Friday, 20 March 2026

DTi >> Turismo de foco na economia de mercado.

 

Para um DTi, o turismo é economia, segundo a 8ª Cúpula Europeia da Indústria do Turismo de Saúde


Bruxelas, 17 de março de 2026

A Cúpula Europeia da Indústria do Turismo de Saúde (HTI) de 2026 retornou a Bruxelas consolidando uma visão pragmática: o turismo deixou de ser uma mera expressão sociocultural para se tornar um dos pilares mais agressivos da economia global. O evento reúne as principais lideranças para tomar as decisões sobre políticas públicas da UE e gigantes do setor para discutir como o fluxo de viajantes é, acima de tudo, um fluxo de capital voltado para a manutenção da saúde plena e do bem-estar.

O Turismo como Ativo Econômico

Diferente das visões românticas do passado, que focavam no turismo puramente cultural ou esportivo, a Cúpula deste ano destaca que os Destinos Inteligentes são aqueles que entenderam o turismo como Economia de Serviços. O viajante contemporâneo não busca apenas o "ver", mas o "investir": investe em experiências de alta performance, em serviços de saúde transfronteiriços e em conhecimento que garanta sua longevidade.

A lógica é clara: o indivíduo investe em saúde hoje para garantir a capacidade de continuar consumindo e viajando amanhã. O turismo de saúde é o combustível para a continuidade do próprio fluxo turístico.

Protagonismo Institucional e Estratégico

Sediada pela eurodeputada Nikolina Brnjac (Comissão TRAN e coordenadora HOUS), a Cúpula reforça o apoio institucional à competitividade do setor. Sob sua liderança, o evento funciona como uma plataforma B2G (Business-to-Government) fechada, focada em transformar políticas públicas em oportunidades de mercado.

Os principais eixos de discussão incluem:

  • Inovação e Investimento: O posicionamento da Europa como o principal hub global de saúde lucrativa.

  • Saúde Transfronteiriça: A desburocratização do acesso a tratamentos como produto de exportação.

  • Sustentabilidade Econômica: O equilíbrio entre a infraestrutura urbana e a alta demanda por serviços de bem-estar.

Parcerias de Peso

A relevância econômica do encontro é validada pela presença de organizações que ditam o ritmo do mercado europeu, como a Comissão Europeia de Viagens (ETC), a Associação Europeia de Spas (ESPA), e a ITB Berlin, a maior feira de turismo do mundo, que reconhece o setor de saúde como o segmento de maior valor agregado atualmente.

Enquanto isso, no Brasil, em 2026, ainda colocamos o turismo no guarda-chuva social, cultural ou esportivo, erro do passado, que não trouxe resultados qualitativos, ou seja, continuamos o mesmo País de “potencial” com um fluxo turístico menor que cidades ou País com bem menos atrativos, porém MAIS INTELIGENTES e focado no mercado. 

Avante,  seguimos, 


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Ref Bibliografica:

Fórum de novos mercados no turismo, durante a Feira - ITB, Berlim, 2023


Imagem: 

Website   www.treatmentineurope.com

Monday, 9 February 2026

Smart Sea >> Bilhões da Náutica dependem do PROJETO ORLA e GERCO

 O Gerenciamento Costeiro (GERCO) em Santa Catarina é um tema vital, dado que o estado possui uma das zonas costeiras mais dinâmicas e economicamente exploradas do Brasil. 

O foco aqui é equilibrar o desenvolvimento urbano e turístico com a preservação de ecossistemas sensíveis, como dunas, manguezais e restingas e o mercado imobiliário. 






1. O Gerenciamento Costeiro (GERCO-SC)

Em Santa Catarina, o gerenciamento costeiro é coordenado pela Secretaria de Estado do Planejamento (SPG) e executado em parceria com órgãos ambientais como o IMA (Instituto do Meio Ambiente).

  • Objetivo: Orientar a utilização racional dos recursos na zona costeira para garantir a qualidade de vida e a proteção ambiental.

  • ZEE (Zoneamento Ecológico-Econômico): É o principal instrumento jurídico. Ele divide a costa em zonas com diferentes níveis de permissão para ocupação, desde áreas de preservação permanente até zonas industriais ou urbanas consolidadas.

  • Desafios Locais: O estado enfrenta pressões constantes de erosão costeira (especialmente em Balneário Camboriú, Itajaí e Florianópolis) e a necessidade de infraestrutura para conter o avanço do mar.


2. O Projeto Orla

O Projeto de Gestão Integrada da Orla Marítima (Projeto Orla) é uma ação conjunta entre o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (SPU) e o Ministério do Meio Ambiente, implementada nos municípios.

Como funciona?

Diferente de uma lei estadual "de cima para baixo", o Projeto Orla foca na municipalização. O objetivo é que cada cidade crie o seu PGI (Plano de Gestão Integrada).

Pilares do Projeto em SC:

  1. Uso e Ocupação: Disciplinar onde podem ficar quiosques, calçadões e áreas de lazer.

  2. Regularização Fundiária: Organizar o uso de terrenos de marinha (que pertencem à União).

  3. Participação Social: Criação de Comitês Gestores que incluem a prefeitura, o governo federal e a sociedade civil (associações de moradores e ONGs).


3. Municípios Catarinenses em Destaque

Vários municípios de SC já aderiram ou estão em fases avançadas de implementação do Projeto Orla:

  • Florianópolis: Possui um dos processos mais complexos devido à extensão de praias e conflitos de interesse entre urbanização e preservação.

  • Balneário Camboriú e Itapema: O foco tem sido a gestão do sombreamento das praias e as obras de engordamento da faixa de areia.

  • Imbituba e Laguna: Priorizam a conservação da biodiversidade (como a proteção da Baleia Franca) aliada ao turismo sustentável.

  • Itajaí 

  • Portobelo 

  • Itapema

  • Navegantes 

  • Balneário Rincão necessita finalizar!

Por que isso é importante agora?

Com o aumento da frequência de ressacas e eventos climáticos extremos em Santa Catarina, o Plano Orla deixou de ser apenas uma questão estética ou turística para se tornar uma estratégia de resiliência urbana. Sem um planejamento rigoroso, o custo de manutenção das cidades costeiras se torna insustentável a longo prazo.

O embasamento jurídico do Projeto Orla no Brasil não vem de uma "Lei do Projeto Orla" específica, mas sim de um conjunto de normas que tratam do patrimônio da União e do meio ambiente.

Aqui está a hierarquia legal que sustenta o projeto:

1. A Lei Base: Lei nº 7.661/1988

Esta é a Lei do Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro (PNGC).

O que ela diz: Estabelece que a zona costeira é patrimônio nacional. Ela obriga que o uso do solo na costa seja planejado para garantir o acesso público às praias e a conservação dos ecossistemas.

Importância: Sem essa lei, não existiria a obrigação de os estados e municípios criarem planos de zoneamento para o litoral.

2. O Regulamento: Decreto nº 5.300/2004

Este é o decreto mais importante para quem quer entender a "regra do jogo". Ele regulamenta a lei acima e detalha como a gestão deve ser feita.

Definição de Orla: O decreto define juridicamente o que é a "orla marítima" (a interface entre terra e mar).

Uso e Ocupação: Estabelece critérios para o que pode e o que não pode ser construído na areia e nas proximidades (faixas de segurança).

Institucionalização do Projeto Orla: É este decreto que dá o suporte administrativo para que o governo federal crie a metodologia do Projeto Orla.

3. A Transferência de Gestão: Lei nº 13.240/2015

Essa lei trouxe uma mudança histórica: ela permitiu que a União passasse a gestão das praias para os municípios.

TAGP (Termo de Adesão à Gestão de Praias): Através dessa lei, o município que assina o termo passa a ser responsável por fiscalizar a orla e, em troca, pode ficar com a receita das multas e autorizações de uso (como quiosques).

Condição: Para ter esse poder, o município geralmente precisa estar alinhado com as diretrizes do Plano de Gestão Integrada (PGI) do Projeto Orla.

Resumo das Normas Principais

Norma

Função no Projeto Orla

Lei 7.661/88

Institui o Gerenciamento Costeiro no Brasil.

Decreto 5.300/04

Define as regras de uso, ocupação e o que é área pública.

Lei 13.240/15

Permite que a prefeitura "mande" na praia (TAGP).

Instruções Normativas da SPU

Definem os detalhes técnicos de como medir e demarcar as áreas.


Ponto de Atenção em Santa Catarina

Em SC, além dessas leis federais, temos a Lei Estadual nº 13.553/2005, que instituiu o Plano Estadual de Gerenciamento Costeiro. 

Ela é o "filtro" que adapta as leis nacionais para a realidade das praias catarinenses.