Monday, 26 September 2022

FUTURISMO: Potencial do TURISMO NÁUTICO, na aceleração econômica.

 Entrevista com Álvaro Ornelas, consultor da OSN CONSULTORIA que voluntariamente COORDENA O GTT NAUTICO SC


                      

ORNELAS afirma que setor náutico de grandes embarcações não sofreu impacto com a crise, e as empresas poderia estar exportando barcos se tivessem mais design, gestão internacional e certificações de qualidade para vendas na Europa e Estados Unidos.

Foto: Marcos Horostecki/ND

Como o Grupo de Trabalho do Turismo Náutico está contribuindo com o Polo Náutico de Tijucas?
– Atualmente são várias frentes de trabalho para o fortalecimento da economia do mar de Santa Catarina, tendo Tijucas como um dos grandes potenciais reais de mercado para auxiliar a indústria, comércio, serviços e turismo náutico. O Grupo de Trabalho Náutico, que é um órgão da Secretaria de Estado de Turismo, está atuando no desenvolvimento do turismo e serviços relacionados à economia do mar, em conjunto com a Fecomércio, FIESC, e principalmente com o apoio do SEBRAE que viabiliza ações de benchmarking e auxiliar na organização  do setor.  
– Porque você acha que isso demorou tanto para acontecer em Tijucas?
Dentro do GT, Tijucas é o case que mais acelerou seu processo de desenvolvimento em toda a Santa Catarina.
-Mas esse potencial é de conhecimento geral bem antes da criação do GT…
Bem, mas foi só em 2013 que o município começou a atuar em conjunto com o governo do Estado nessa questão e começamos a vislumbrar o potencial de Tijucas, trabalhando de forma cooperada. Eu diria que o projeto acelerou muito desde que fomos chamados. Foi muito rápido, em menos de quatro anos houve uma mudança de comportamento e interesse na exploração do grande potencial que tem Tijucas nessa área.
-Pela sua experiência, o que vai acontecer primeiro no Polo Náutico?
O que acontece primeiro é a instalação do Tijucas Marine Center, que é um investimento 100% privado e que já começou a atrair empresas para Santa Catarina. Empresas do Rio de Janeiro, empresas de São Paulo que estão interessadas em um espaço com uma estrutura adequada para recebe-los e que a área localizada de frente para o mar tem plenas condições de oferecer.
E qual seria o potencial do Polo Náutico?
Acredito que Tijucas, nos próximos 20 anos, vai ser uma cidade que vai viver da economia do mar. Vai voltar a viver da economia do mar, porque tem espaço, está geograficamente posicionada entre mercados consumidores, como São Paulo, Porto Alegre e Buenos Aires e é também uma cidade em que os terrenos disponíveis são acessíveis do ponto de vista financeiro, comparado à região metropolitana da Capital e a região do Vale do Itajaí. Então, o potencial das áreas existentes aqui chama a atenção de todo o mercado do mar.
-O problema da boca da barra não prejudica esses investimentos?
Esse problema pode se alimentar e ganhar realmente um valor de mercado, para sensibilizar autoridades para a necessidade de investimento que ele exige. Porque até 2013, fazer os molhes na boca da barra era a única solução, o que é uma inverdade. O potencial da cidade é tão grande, que existe outras alternativas, que já são realidade e que não dependem da solução do problema para atrair um investimento da ordem, por exemplo, de R$ 70 milhões, que é o que vai garantir o Tijucas Marine Center. A estratégia da cidade para o mar é mais importante que a solução da boca da barra.
-E essa estratégia está consolidada?
Sim, porque a cidade procurou o GT Náutico para isso, em 2013. Em 2014 aprovou uma lei de incentivo municipal para atrair empresas. Em 2015 organizou a participação da cidade numa feira internacional. Foi até a Itália mostrar para os italianos que tem o potencial e 2016 tem um investimento privado confirmado que se chama Tijucas Marine Center. Cada ano um passo certo para um resultado consistente. Esse é o principal ganho. A boca da barra continua sendo um problema, mas com esses investimentos a solução dele fica bem mais próxima.
-Sabemos que o mercado náutico é um mercado de capital intensivo, que precisa de grande circulação de dinheiro. Essa situação do País, com a crise, o que ela impacta nesse projeto?
Na náutica, as embarcações de 40 pés em diante nunca sofreram com crise alguma no Brasil. Nunca vão sofrer. Assim como todo o mercado de alto luxo e alto padrão. Nenhuma das marcas de carros, por exemplo, como a Land Rover, sofreu com a crise. Esse segmento é fiel e tem clientes no Brasil de alto padrão que vão continuar comprando. O Brasil não faliu, o Brasil está em crise, é diferente. Claro que tudo abaixo disso não está acontecendo. Aquelas embarcações menores, de 30 pés, 20 pés, as de lazer, essas estão em situação complicada, porque o cidadão não vai deixar de financiar um carro novo para comprar um barco, porque não está sobrando dinheiro. Nós temos um segmento em Santa Catarina que são os estaleiros que produzem as embarcações de lazer, para a pesca e para mergulho, que custam o valor de um carro. Esse segmento sim foi afetado, mas nós acreditamos que logo sairá da crise também.
-Como fica a pesca nesse contexto, já que Tijucas tem uma relação muito forte com ela?
Eu vejo nesse primeiro momento que o potencial de Tijucas inclui as pessoas que residem na cidade e que estão envolvidas no setor, inclusive quem já está no mercado da pesca. Essa cidade respira náutica. Ela já foi náutica no passado e por alguma estratégia do passado ela deixou de ser. De cada dez tijuquenses, oito já estiveram dentro do mar ou conhecem as condições do mar. Isso é matéria prima. Não tem lugar nenhum no planeta que possua esse tipo de mão de obra. O que precisamos é capacita-los, para que eles estejam adaptados às novas tecnologias. Por isso a gente acredita que, talvez no ano que vem já venham os primeiros cursos, em parceria entre o Senai e o governo do Estado.
-Esse núcleo pode vir a ajudar também para que a região se beneficie de alguma forma pelo transporte marítimo?
O Polo Náutico de Tijucas tem tudo para contribuir com isso. Estamos trabalhando inclusive no processo de atrair cruzeiros para a Baía de Tijucas e para a Baia Norte e Baia Sul da região metropolitana. Mas tudo isso está alicerçado em uma carta náutica. E a última de Tijucas é de 1957. Isso custa R$ 800 mil e demora 60 dias para ficar pronto. É como se fosse fazer um asfalto e hoje não temos isso. E isso impacta no transporte aquaviário, importa no setor náutico, na maricultura e na segurança de quem navega. Perdemos muito com isso e estamos trabalhando para que isso aconteça e, no futuro, por exemplo, o polo náutico de Tijucas possa ser usado não só para desembarque de cruzeiros, mas para a manutenção de todas as embarcações que circulam pela região.

Cliente:  Secretaria de Turismo de Santa Catarina | GTT NAUTICO SC
Evento:  Entrevista N                    Data: 25.08.2016


Sunday, 25 September 2022

FUTOURISMO: ESG, experiências e Custo são os vetores determinante de deslocamento.

 


 Por Álvaro Ornelas*

Certamente, o setor de viagens e o turismo foi que mais saiu “transformado” pela pandemia. No entanto, está claro que a pandemia não é o único fator que influencia a maneira como viajamos em 2022 , houve uma movimentação no comportamento do consumidor que desse servir de orientador de vários mercados: o valor sobre a qualidade de vida de indivíduos refletiu no mercado imobiliário e gerou um despertar sobre o papel particular de cada um sobre o uso dos recursos do Planeta. O que deixa claro elencar alguns pontos que servirão de tendências para Nosso estudo de tendências de viagem 2022 revela tudo.

As viagens “represadas” pelos anos de pandemia estão chagando ao fim. Este crescimento que vimos de o a 1.000 vem desacelerando e os “melhores dias” estão fincando para trás. Segundo um estudo que recebi na reunião do Conselho do WTTC em agosto, 2022, a recuperação global do mercado já atingiu seu pico nesta temporada de verão Europeu. Em 2023, as despesas em viagens refletirão os resultados baixos em função das políticas públicas do “fica em casa” e a Guerra na Ucrânia, consolidando o início de uma grave crise econômica naquele continente. E a a desaceleração econômica da Alemanha reflete algum grau de assertividade nos números do “Velho Mundo”.

A pandemia obrigou os consumidores a agir de forma diferente quando se trata de reservar dinheiro para suas férias, influenciando onde escolhem ir, com que antecedência ou tarde reservam e como chegam lá. Mas com as restrições amenizadas, os viajantes esperam que o COVID tenha menos impacto em seus planos futuros. Aumentando as chances de aumento do fluxo internacional, porém as viagens INTERNAS e mais PRÓXIMAS serão a principal tendência nos próximos anos.

A motivação, ‘recuperar o tempo perdido” continua a se firmar como padrão, onde as pessoas estão organizando seus orçamentos para gastar mais em viagens para mais longe possível.

Após dois anos de restrições e bloqueios de viagens, muitos de nós sentimos necessidade de fazer o mesmo – EMBARCAR.

De fato, no primeiro semestre de 2022, os aeroportos europeus e Brasileiros registraram um aumento de quase 250% no volume de passageiros. A falta de profissionais nos aeroportos fez aumentar as filas pois ainda não deu tempo de voltar ao ponto ótimo de atendimento previsto para 2022 e 2023. Espera-se diminuir atrasos de vôos, melhora a gestão da operação facilitando processos e ainda esperada diminuição dos preços das passagens, pouco prováveis.

 

Dificuldades financeiras são o motivo mais comum para evitar viagens

O aumento do custo de vida fez com que a maioria de nós revise nossos hábitos de consumo. Para muitas pessoas, o preço é a primeira coisa a ser examinada ao reservar uma viagem. Surpreendentemente, um em cada três dos que não vão de férias este ano baseou sua escolha em dificuldades financeiras.

Mais do que nunca, a disposição de pagar do consumidor está diretamente ligada a quanto valor ele acha que receberá – na mente do viajante, deve valer a pena.

Orçamentos maiores, viajantes mais inteligentes

Embora as férias não estejam nos planos para muitos este ano, 63% dos  entrevistados, pela SIMON + KUCCHER ( julho, 2022) vêem uma viagem como o presente especial que mais desejam – em comparação com 47% no ano passado.

E, para muitos, alguns custos crescentes não serão um choque. As pessoas esperam pagar 25% mais por acomodação neste verão em comparação com o ano passado. Isso é mais alto nos Emirados Árabes Unidos, onde as pessoas esperam pagar 40% a mais.

Portanto, em vez de simplesmente reduzir as taxas de viagem, a crise do custo de vida inspirou os consumidores a reservar com inteligência – pense em descontos, promoções e viagens fora de temporada.

Gráfico: Organizado por Álvaro Ornelas | Fonte: Travel Strategy & Marketing, Londres, 2022.

 

As pessoas estão gastando estrategicamente de outras maneiras também:

Menos pessoas estão dispostas a pagar um prêmio por um serviço de maior qualidade: vamos começar pensando em voar em uma cabine premium ou ficar em um hotel de luxo. Esse tipo de gasto caiu para 42% em 2022, de 50% em 2021.

Por outro lado, os consumidores estão dispostos a pagar mais pela flexibilidade de reserva. No ambiente de hoje, esse nível mais alto de segurança significa o mundo para os consumidores.

As pessoas estão reservando com mais antecedência: as reservas de última hora não são tão atraentes ou relevantes quanto costumavam ser durante a pandemia, quando as pessoas estavam mais preocupadas se poderiam viajar e garantir que seu dinheiro estivesse seguro.

À medida que a indústria de viagens acelera, os consumidores estão planejando com antecedência para reservar antes que os destinos mais bem avaliados se esgotem. Os consumidores não querem perder as melhores ofertas, que eles acham mais propensos a conseguir se reservarem com antecedência.

 

Três tendências de viagens para FUTOURISMO

Está claro que o custo é um grande foco este ano e é central para a maioria das decisões tomadas pelos turistas. Mas o que mais mudou?

 

As viagens de negócios estão se recuperando

O número de viagens de negócios deve aumentar cerca de 36% nos próximos 12 meses. O maior aumento (+66%) será no Reino Unido e o menor (+7%) na Holanda. As regiões metropolitanas de grandes centros financeiros também serão destinos que merecem atenção e foco de atuação.

O custo ainda é um grande fator decisivo, mesmo para viagens de negócios, com 33% de nossos entrevistados priorizando o preço.

Por outro lado, os “trabalhos”, onde as pessoas viajam para trabalhar remotamente, caíram em popularidade. Isso provavelmente se deve ao fato de muitos retornarem ao escritório e às formas de trabalho pré-COVID, como vídeo-call e o home office ganharam forças também. Foram as práticas existentes que mais se consolidaram na sociedade atual.

Reflete nas operações de reservas, organização de eventos de diferentes vertentes. Até mesmo na contratação de serviços de modo geral.  

 

A viagem fica verde

Os consumidores – particularmente jovens, ricos e aqueles que vivem nas cidades – estão dispostos a gastar mais em férias sustentáveis. Alguma pesquisam recentes apontam 61% das pessoas neste nicho demográfico gasta em destinos VERDES. E neste sentido os valores VERDES (ESG) ... impactam na escolha e seleção por clientes de melhores tickets de uso – a usabilidade.

E a tendencia é permanecer assim ou aumentar nos próximos 5 anos.

 

As coisas ficam pessoais

O mercado dá claros sinais que quem organiza o MEU ROTEIRO sou eu mesmo, nada mais influência a decisão do que informações por terceiros. Por tanto as pessoas preferem organizar as férias por conta própria e criar viagens personalizadas sob medida para suas necessidades.

Os agentes de viagens ainda estão em demanda, especialmente quando se trata do tão amado all-inclusive. Os agentes de viagem ainda são responsáveis por grande parte do mercado para os PACOTES... em especial resort, navios _ os “all-inclusive”. Porque depois de alguns anos tão cansativos, o que poderia ser melhor do que uma viagem onde tudo já está resolvido?

Claro, reservar através de um agente de viagens também oferece uma certeza muito necessária sobre o preço. Os consumidores querem saber exatamente pelo que estão pagando.

 

O que isso significa para a indústria de viagens (inclui passeios nos FDS).

As pessoas estão animadas para viajar novamente. Mas eles estão observando seu dinheiro de perto e gastando com sabedoria.

Os consumidores estão confiando na clareza. Eles precisam saber exatamente o que estão recebendo pelo seu dinheiro, onde podem cortar custos e por que certos serviços ou recursos vêm com uma taxa adicional.

A melhor coisa que a indústria de viagens e turismo pode fazer é simplificar sua oferta e oferecer aos clientes flexibilidade ao fazer a reserva. Quanto mais controle os consumidores recuperarem, mais confiança eles terão na hora de reservar sua próxima viagem.

Ao mesmo tempo, as empresas de viagens precisam investir para tornar sua oferta mais ecológica, pois os consumidores mais jovens colocam isso em sua prioridade para viagens.

Por fim, oferecer boas ofertas e valor para incentivar a reserva antecipada será fundamental. Ele garantirá reservas e receita antecipada antes que o custo de vida atinja ainda mais as carteiras dos consumidores.

Ler e entender pesquisa é o fator principal rumo a transformar um município em um DESTINO TURISTICO INTELIGENTE.

Desejo sempre aos amigos e parceiros,

Suce$$o ! 

💪🏻🎯

 

*Álvaro Ornelas é consultor especializado em aceleração econômica territorial, atua no mercado imobiliário e turístico do Brasil. É diretor do Grupo Salomão. Um dos thinktank da Essência Náutica do Brasil, Fundador e Presidente da ANCORA (Ag Nacional de Cooperação em Redes de Apoio à Economia do Brasil do Brasil) também com experiência no desenvolvimento do cluster industriais e produção da náutica em Santa Catarina e de regiões turísticas em todo o Brasil.

 

Referência Bibliográfica:

HIOTIS, Dimitris. Travel Trends Study 2022: From COVID to Cost Hikes. Simon-Kucher Strategies e Marketing, Londres, 2022

WTTC, 2019. Impacto do Turismo nas Cidades.  https://wttc.org/Portals/0/Documents/Reports/2019/City%20Travel%20and%20Tourism%20Impact%20Extended%20Report%20Dec%202019.pdf?ver=2021-02-25-201322-440

 

Imagens:

Photo Lab.

Monday, 19 September 2022

Novo Destinos Turístico Inteligente no Mercado: POMERODE (SC).

ARTIGO de Ana Blanco e Álvaro Ornelas 
(páginas 27 a 32), sobre POMERODE SC. 


Unedestinos Academia lança 5ª Edição da Revista Reflexão & Análise

A Revista Digital Reflexão & Análise compartilha artigos dos membros do seu Time Técnico de Consultores

Uma publicação da UNEDESTINOS – União Nacional de CVBs e Entidades de Destinos que tem como um dos itens de sua missão promover o compartilhamento de ações e informações estratégicas dos destinos brasileiros.

Nela você encontrará opiniões, novas abordagens e práticas para a Gestão de Destinos Turísticos. São 8 artigos, que possibilitarão aos leitores ampliar sua base de conhecimento e informação, contribuindo com o direcionamento das tomadas de decisão pós pandemia.

Sobre a UNEDESTINOS

A UNEDESTINOS, é composta por 43 CVBs nacionais que representam mais de 300 cidades e somam mais de 10 mil associados em todo Brasil.

A União Nacional de CVBs e Entidades de Destinos, é uma organização não governamental de direito privado formada por entidades mista, pública e privada, especializada na promoção de destinos, pesquisas, geração de conteúdo, programas de capacitação, apoio e captação de eventos em geral. 

Versão online: https://bit.ly/3UiBbzU 

Versão PDF: https://www.unedestinos.com.br/publicacoes/ 

Boa leitura! 

💪👊