Tuesday, 7 April 2020

FUtourism: nova forma de promoção de destinos.


ESTRÉGIA BOCA-A-BOCA. COMO PROMOVER EXPERIÊNCIAS TURÍSTICAS POR MEIO DE TERCEIROS?

Álvaro ORNELAS*

Os viajantes de hoje são, na prática, verdadeiros contadores de histórias sobre os destinos turísticos visitados. Esse comportamento é bem mais relevante e bem mais estratégico quando se fala em promoção e apoio à comercialização de um determinado destino ou território. Consultores e gestores do turismo nacional estão ignorando este "novo comportamento" no desenho de suas estratégias. Porém na iniciativa privada, saiu na frente, ao pensar como suas experiências turísticas poderiam ser "repassadas" e fazer do ato de contar histórias sobre suas lembranças em marketing turístico "na veia", direto ao consumidor futuro. 

Foto: Pratos da Boa Lembrança. 

Desenhar e entregar uma experiência turística, com um alto grau de qualidade, onde o "cliente 1", possa se tornar o meio de comunicação da promoção dos negócios. Por esse motivo, não pode ser ignorado no novo arranjo produtivo do setor de hospedagem e de viagens. Resmundo: as empresas e destinos anfitriões precisam concentrar se no produto como ponto de partida para a promoção e conquista de ganhos.Experiências e produtos criados causarão “uma conexão e uma troca entre duas ou mais pessoas”, um encontro, criando um cenário em que todos saem ganhando: uma experiência mais valiosa para o visitante e mais promoção boca a boca para o destino ou empresa. 

Há uma inversão na ordem de promoção turísticas, quem promove é o usuário, quem avalia a qualidade e o valor da experiência é o usuário e é nele que devemos focar esforços para garantir que a comunicação seja conforme o planejado/desenhado pelas empresas e pelo destino. Difícil? Sim. Estratégico? Sim. Como iniciar? Como fazer? Segue uma reflexão inicial.

O olhar é em torno de um “mix social” com variáveis que devem ser desenhadas conforme a demanda real de cada empresa/destino/município/território anfitrião, algumas destas variáveis são: rituais, pontos de referência, infraestrutura e lembranças. A lembrança deve ter valores e refletir um momento único de conhecimento e conectividade, o que traduz em experiência turística, que difere da experiência do usuário principalmente no grau de envolvimento porque essa permite que seja construida por meio da tecnologia e de forma “eletrônica”, já a experiência turística tem a base no encontro de humanos, só a assim teremos conseguido gerar as lembranças que desejamos no viajante, que mais tarde se tornar "promotor" em suas redes de convivências diárias. 

Lembrança diferente de experiência turística:

Uma lembrança é um objeto ou item que serve para lembrar alguém de um evento passado. No sentido moderno, isso pode ser físico ou digital. Os hóspedes adquirem lembranças como parte de uma experiência. O foco aqui é a experiência turística por meio de uma empresa ou destino. Onde o visitante possa criar a lembrança dentro da experiência. Qualquer um desses cenários é muito mais poderoso do que a saída comum esperada pela loja de presentes para comprar uma camiseta ou adesivo. Como experiências bem-sucedidas são frequentemente promovidas de boca em boca. Qual seriam exemplos práticos, aplicados no mercado de "fluxo de viajantes"? Onde o viajante tornas, por muito tempo, conectado à empresa ou destino, em uma vibração positiva que resultará em mais reservas e lucros? Como transformar em algo tangível e digna de conversa para seus convidados?

Veja como um restaurantes constrói lembranças por meio de uma experiência na prática. O case mais improvável e mais singificativo por ser autêncico 101% é o Restaurante  Osteriadella Colombina na Serra Gaúcha, no município de Garibaldi, na Comunidade Linha São Jorge (no campo), no Rio Grande do Sul, um restaurante com alma e “estômago” italiano. É um estabelecimento certificado pelo Tour da Experiência criado Instituto Marca Brasil que em 2013 foi premiado pela OMT com o “oscar do turismo” o Prêmio Ulysses, por ser o futuro do turismo. Então, o nosso futurismo, começou em 2008 quando foi desenhado o método para transformar empresas de turismo em "usinas geradoras" de lembranças, por meio de uma experiência turística autêntica. Voltando ao restaurante. É familiar, é aconchegante, é  distante, acesso ruim, mas certificado em “entregar” experiências turísticas e conectar emocionalmente com TODOS seus clientes, como estratégia. E é um gerador de lembranças incrível, porque, estrategicamente usa dois pontos psicológicos e um ponto de sorte do destino. O ponto 1 é o fator aconchego acolhimento gastronômico, promovido pelo "cenário" (este é outro ponto do futurismo que vamos falar em outra oportunidade); E o o ponto 2 é o lúdico com “pitadas de regressão”, por meio da "contação" de histórias dos imigrantes italianos vivenciaram seus primeiros tempo na Serra Gaúcha, contos que muram a visão de todo o território, pois "afina" olhar do visitantes pelo resto de sua estata no território. E o pontoe de sorte do destino, no meu entender fator de sucesso do empreendimento, é a sorte que trata-se da gastronomia e tradições italianas, em um pais que tem a maior número de passaportes italianos fora da Itália, o Brasil tem laços e o “dna” com os saberes e fazeres da Itália são presentes em várias formas na Serra Gaúcha, em São Paulo, onde há mais Italianos do que na Itális - isto para esta empresa familiar é "foco de mercado". Se fosse gastronomia Chinesa (só para ser engraçado, hoje, 2020), não seria tão duradouro o sucesso do restaurante pelo acesso ao mercado alvo, é menor. 

É agora? Difícil ou mais fácil? Há literatura sobre isto, pois o método replicado e melhorado em empresas e roteiros do Tour da Experiência já estão em pleno funcionamento. No RJ, o circuito Caminhos do Brasil Imperial, o que tive que tive a honra de ajudar a construir com os empresários (hoje amigos). que hoje ofertam ao mercado para segmentos específicos conectar por meio da história do Brasil (no perídio do segundo Reinado de 1840 e 1889) , onde o conteúdo rico de um periodo do Brasil que foi empreendedor, global e humanista de uma forma que jamais foi - assim este legado une, por meio de experiencias turísticas as cidades e territórios como: Rio de Janeiro (Centro Histórico), a Serra Carioca, o Vale do Café, Resende (Penedo e Região de Visconde de Mauá)  e a Costa Verde. Difícil? Sim. Impossível? Não. Foram empresas que aprenderam o valor do Tour da Experiência e as lembranças de sues clientes, conforme planejando, atrai novos clientes e “faz a roda girar”.

Imagem: Instituto Marca Brasil, 2014.

Voltamos ao nosso exemplo – Restaurante Osteria dela Colombina, para gerar lembrança pode aumentar sua experiência, porque há contexto. A origem do restaurante, como começou: colonos, 4 filhos, distantes ... tudo contra o sucesso, provou se o contrário!!! Mas a estratégia base sempre foi: gerar lembranças. A recepção é impecável, a mesa com qualidade, e o sorriso na entrada, tudo “normal” até que foi pensado com “convidar o hóspede” a mexer e tocar e apreender a fazer um “Colombina, uma pombinha”, com massa de pão,  uma tradição italiana, que unia a crianças com as mães e as avós, sim as avós. Agora ao escrever para vocês, lembro-me da minha primeira vez lá, minha vó era portuguesa, mas me deixava fazer coisas na cozinha “ajudar”. Então o toque com a massa, a história de amor e familia faz todos, quase que imediatamente, voltar a ser criança. E assim meio da história deles, das tradições italianas, e do emocional , torna o estabelecimento ÙNICO, incrível que mesmo de depois de 8 anos continuo falando  e usando como exemplo de como exemplo prático que PODEMOS criar, desenhar e formatar e vender  experiências turísticas que ao final “gerarão lembranças” que são novamente usadas por nós como promoção, a mais fiel das promoções – o boca-a-boca.

Além de construir sua marca em torno de uma história de origem excepcional (a relação afetiva da proprietária do restaurante com as tradições dela, vividas até a abrtura da empresa), a Osteria dela Colombina também deixa todos os “cliente” com a lembrança perfeita de sua visita – a pombinha que foi feita pelo cliente, ao entender o que ela significa é "retida" como "momentum", um objetivo que vai conectar o cliente para sempre, e pode inclive tornar-se mais um adorno na prateleira de "coisas de viagem" que todo viajante tem em casa. 

A bombinha, no início, era feita pela chefe na presença de todos, depois de assada, as "pequenas" eram devoradas como entrada. Como um pão na certa de "couvert", em um processo e treinamento de "gerar lembranças", mudou um ponto: agora quem coloca a mão na massa, faz a pombinha de pão é o cliente. Depois de assadas, nesta nova fase, eram colcadas à mesa e TODOS levaram para a casa, ninguém come algo que se tenha - valor. Elas eram assadas e ia a mesa, mas aí, ninguém mais comia como entrada, eram levadas para casa como lembrança, A minha ficou verde na prateleira,  tenho que voltar lá!
  
Aqui estão alguns dos princípios por trás de uma lembrança bem-sucedida:

1 - As lembranças podem ser adicionadas com facilidade e credibilidade à sua experiência se elas atenderem a uma necessidade operacional ou resolverem um problema, ou geram valor emocional ao longo da jornada do hóspede (viajante – cliente);

2 - Entender o cliente, dados e informações continuadas sobre o cliente ou nicho algo. Na Osteria dela Comlombina, há uma necessidade legal de identificar quem já recebeu esteve no lá ... para que haja conteúdo novo durante a experiência II.

3 - As lembranças geradas tornam se gatilho mental para a história da sua marca (empresa ou destino);

Quem foi, fala, conta empolgada várias vezes a diversos públicos nunca pensados no planejamento tradicional.

A lembrança do restaurante da “pombinha” também atinge as seguintes notas:

• Novidade: a “criação da pombinha” é uma parte inesperada e encantadora da experiência.
•  A marca é “inserida” no emocional do cliente. Não é carimbo é um elo que se criou por meio da emoção. 
• Acessibilidade: a “bombinha” é barata, a massa simples. Podem inclusive fazer em casa com a sua familia na volta. 

Essa lembrança simples é apenas uma pequena parte da experiência, mas fornecer a todos os clientes uma sugestão de marca “brinde” visível e tangível cria um efeito cumulativo valioso na comunicação boca-a-boca e impacta no “ROI” do negócios em potencial.

Aos parceiros e amigos, desejo,         

Suce$$o sempre, 

Ornelas. 

#TURISMOinteligente  #maisNEGOCIOS #MUNICIPIOSinteligentes 

*Ornelas é um think tank da Essência Náutica do Brasil. Foi o coordenador voluntário do GTT NAUTICO SC (2011-2017). Fundador e Presidente da ANCORA (Ass. Nacional de Cooperação em Redes de Apoio à Economia do Brasil do Brasil) também desenvolveu o Pólo Náutico de Tijucas por meio do conceito SMART SEA criado por sua empresa, a OSN CONSULTORIA. É sócios em marinas no Brasil e fundou o Complexo Náutico TMC.  

NOTAS: 

NOTA 1: Projeto Tour da Experiência foi criado pela equipe de consultores e parceiros do Instituto Marca Brasil e o projeto piloto foi implantado na Serra Gaúcha, no início das estratégias de consolidação de mercado das cidades de Bento Gonçalves e Garibaldi principalmente.

NOTA 2:
Osteria della Colombina só abre nos sábados, domingos e feriados, apenas para o almoço. É necessário agendar por telefone (54) 3464 7755, (54) 9121 1040 ou email colombina@estradadosabor.com.br. Fica na Comunidade Linha São Jorge em Garibaldi. 
E para facilitar siga no Facebook: https://www.facebook.com/osteriacolombina/

Se você anotou os contatos do restaurante para a sua programação de viagem ou indicação, você acaba de ser impactado pela estratégia BOCA A BOCA do Osteria dela Colombina, assim é o futurismo, nichos específicos e experiências incríveis.

NOTA 3: 
ROI, significa em inglês, retorno sobre o investimento. ROI = return on the investment. Foco diário de todos empreendedores do setor. 

Fonte: 
OSN Consultoria, Florianópolis, SC, Brasil.  
https://www.osnconsultoria.com.br/serviços 

ANCORA da Economia do Mar, Itapema, SC, Brasil               
https://www.economiadomar.com.br/smart-sea

Imagens: 
Valor das pessoas, imagem do site https://ecommerceinsiders.com/13-tactics-improve-customer-lifetime-week-3701/
Valor digital, imagem do site https://researchleap.com/modern-marketing-communication-tourism/
Valor da experiencia marca da Instituto Marca Brasil e SEBRAE RJ

Referências Consultadas:

MARINETTI, Filippo Tommaso, Declaration of Futurism, published in Poesia, Volume 5, Number 6, April 1909 (Futurist manifesto translated to English). Blue Mountain Project.

PwC, Global Entertainment and Media Outlook 2016 – 2020.
European Parliamentary Research Service, Global Trendometer: Essays on medium- and long-term global trends, 2016.

European Strategy and Policy Analysis System, Shaping the Future, 2016.

OECD, Tourism Trends and Policies 2016.

Airbus, Global Market Forecast 2016-2035.

Harvard Business Review, Labels like “Millennial” and “Boomer“ Are Obsolete, Nov 2016.

SKIFT, The Megatrends Defining Travel in 2016.

SKIFT, The Traveler Manifesto – What Super Travelers Want From the Travel Industry, 2016.




FUtourism: o fim do turismo como conhecemos.

Hoje, 2020, a ideia do novo ou inovação, torna-se realidade. O futuro é agora. Com o advento da crise no setor, mais do que nunca todas as cadeias produtivas da hospitalidade deverão repensar todos os aspectos (dimensões e variáveis) de forma tão impactante que nem mesmo tenhamos entendido que de fato já houve mudança da essência do nosso setor, que agora tem como objetivo - o encontro. A indústria do encontro pode ser o novo significado que procuramos para fortalecer e consolidar um município ou território como destino turístico. Entender o velho turismo desta forma pode apresentar grandes oportunidades hoje.  
Álvaro Ornelas*

O modus operandi de organizar encontros, já consolidado no mercado global, como o setor que será capaz de “acolher” saberes, fazeres, conhecimento técnico e tecnologia em prol do fluxo turístico de humanos no Planeta.  
A previsão para o crescimento do velho turismo é de 3,9% ao ano nos próximos 10 anos. Segundo a OMT e o Euromonitor (2019). Considerando que o foco, o formato e a entrega de todo setor mudou, as previsões são mais otimistas para os destinos que definirem o seu amanhã de longo prazo – hoje.

Como um novo enfoque de enfrentamento à crise global do setor. Que no meu entender, é talves a maior oportunidade de aumento de "market share" de forma rápida, tão sonhada para o Brasil e seus Estados, que, hoje, mais do que nunca, estão mais miopes hoje sobre a gestão do fluxo turístico do que no passado.
Ainda que tenhamos um atraso entre 12 e 18 meses para voltarmos a ter um fluxo de viagens nacionais e internacional "normal", conforme aponta a empresa de consultoria Deloitte (ABRIL, 2020). Veja o gráfica abaixo. A hora é de repensar, refazer e refletir sobre todas as estratégias de competitividade no setor - agora. O trade turístico, a academia, e entidades secundárias assumiram papéis sem relevância ao aumento do fluxo turístico, e o setor público, não trabalha de forma contínua e profissional, o setor não é prioritário ao meio político de forma geral.


A qualidade percebida foi alterada logo na chegada do viajante, que hoje, não quer mais a imagem estática perfeita para levar para casa, mas sim deseja uma conexão emocional com uma experiência compartilhada instantaneamente com base em interesses, relações e autenticidade que só o encontro é capaz de gerar. 

Os destinos, por mais estruturados que estejam, devem concentrar novamente no pensamento sócio-econômico que passa a ser entendendido como uma das variáveis mais releventes e de alto impacto no mercado - o valor social. Seja ele dentro de grandes (e pequenas) empresas, do desenvolvimento  sustentável e todo tipo de influência existente nas cadeias produtivas que virão a ser impactadas por esses encontros. 
Acolher nossos parceiros do trade turístico estabelecido no Brasil, e os muitos recém-chegados das universidades, da área de pesquisas experimental, pesquisadores de tecnologia, estudantes, viajantes e cidadãos locais à organizar um grande encontro para desenhar o futuro do turismo de amanhã, hoje. Em cada território ou município que tenha o turismo como uma de suas formas de geração de riqueza.
Só um encontro, pode dedicar tempo e esforços para promover a inovação intersetorial e insistir em ter a coragem de interromper e incentivar a interrupção daquilo que precisa mudar, porque não atende mais a demanda de mercado. 
Como organizar oficialmente o novo? Como fazer a gestão de algo ainda não é entendido completamente? Como pensar macro-diretrizes dentro desta nova demanda? Como ajustar a frequencia do pensamento entre todos atores da "produção de experiências", com os da "gestãos do destinos" e, principalmente, o com próprio viajante?  
Vejo, e entendo, que é um momento de ruptura importante, o turismo como conhecemos morreu há algum tempo, porém o enterro se deu com a grande crise de 2020, na crise há oportunidades, a oportunidade de um novo futuro para nosso setor que tem por base a compreensão que tudo mudou e certamente quem entender os aspectos desta mudança, vai ganhar competitividade no mercado global agora, para os próximos 10 anos.  
A comunicação é o novo, e maior desafio. As novas formas de comunicar representam diversos aspectos importantes no novo ciclo economico em viagens. Onde as recomendações oficiais de um destino não valem nada, o que vale é a opinião de pares, dos nichos de mercado específicos. O monitoramento tão pobre no setor nacionalmente, não pode mais ser ignorado pelo setor público e deve receber mais investimentos. Não se trata de observar, se trata em monitoramento com tecnologia de inteligência artificial (IA) aplicadas ao setor de viagens e a "produção de experiencias", como temos visto nos processo ligada a "experiência de compra" de automóveis e nos processos na rede bancária no Brasil atualmente em operação. A IA é o maior aliada do poder público que comprovadamente se mostra ineficiente nem tão pouco eficazes em suas relações com o trade turístico até aqui. Exatamente por que o meio político não entendeu seu papel, há mais de 20 anos traçado, que era fazer a promoções e apoio à comercialização, isto mudou e ninguém comunicou aos gestores públicos o novo papel que é mais caro e mais complexo do que o seu papel até aqui. Agora o papelo do poder público é bem mais “smart” para quem nem tanto é. Outro grande desafio para os municípios que pensam a frente devem acreditar - investir em monitoramento inteligente é a condição número um para comecar a entender os seus públicos/nichos e suas reais demandas. Não há espaco para generalização como antes.
Ao invés de promover para os outros, precisamos promover através dos outros. Este é o desafio de comunicar, promover e dar apoio à comercalização por meio de estratégias de comunicação indireta. Como fazer isto hoje? Primeiro ponto é ruptura do egocentrismo político existente nas associações que representam o setor e definitivamente retirar do setor princípios ideológicos e politicos, porque o setor é “market-driven” e assim todas as ações devem ser certeiras para resultados consistentes no mercado de viagens para manutenção (e possível aumento) do fluxo turístico.  
Há um caminho, um único caminho, a trilha do compartilhamento com muitos, na qual um destino deve liderar o desenvolvimento e o gerenciamento do destino de forma integrada entre o setor público, entidades relevantes ao setor e principalmente, sempre, com a presença da iniciativa privada, os investidores, responsáveis por 80% em pequenas iniciativas e 20% em grandes investimentos no segmento da hospitalidade, deslocamento e atrativos de edu-entretenimento.  
Começamos, agora, hoje, uma nova era em que a visão de nosso papel no setor é crucial para poder “fornecer” a experiência de destino sob demanda, uma época em que esse foco, por sua vez, depende do “valor agregado” aos visitantes que escolherem o seu destino, um entre muitos no mundo. Nunca o conceito "glo-cal" teve tamanho impacto no fluxo turístico como agora.  
O final do turismo como conhecemos é a primeira estratégia para o futuro do setor, devemos seguir outra direção, com algo muito mais interessante e pessoal: um futuro de anfitriões e convidados em uma experiência compartilhada de uma localidade. É um momento de mudança e transição, que essa nova estratégia estabelece. Uma diretriz ambiciosa, uma solução revoluncionária e definitiva, que não tem volta.
Procurar soluções em colaboração com nossos atuais e novos parceiros, trabalhar para atrair mais negócios turístico no território, onde empresas formatam a experiência e atuam de forma integrada sem a interferência do Estado. Basta de planejamentos mirabolantes que NUNCA LEVARAM a resultados consistentes que, na prática, só representaram gasto de tempo e de dinheiro que poderia ser melhor aplicado. São leis e material que, na prática, tiverem o seu papel, agora o foco é o mercado como nunca foi trabalhado antes.
A atração por resultados consistentes é a locomotriz das empresas do setor, o monitoramento é a IA que o setor necessita, para juntos promoverem experiências únicas, complementares e integradas a cada momento da visita – do/no encontro criado de forma colaborativa. O valor dos negócios atraídos ao território ou município é o desafio. 
Permitir o envolvimento das pessoas, os atores locais, com o foco de produção econômica é a reflexão final deste pensamento sobre o futuro do segmento de viagens e hospitalidade. A única certeza que tenho é que o turismo como conhecemos acabou, zeramos a conta. Os erros do passado devem ficar no passado, e a busca no “futurismo do Brasil” é, no mínimo gerar resultados consistentes por meio de ações certeiras – diferentes das que víamos fazendo até aqui. Errar diferente, é mais inteligente e auxiliará a melhor a compreensão dos novos padrões de consumo por meio do encontro. Há mais futuro do que passado para aqueles que entenderem que tudo mudou de fato no setor.
O “futourism” nacional pode ser resumido na ambição em compartilhada e co-criar uma experiência sustentável, de longo prazo em um  território ou município, unir antigos parceiros e novos parceiros em um novo formato de planejamento de longo de prazo é o desafio de hoje.  Honestamente espero al ler esta reflexão até aqui, que as mentes não consigam mais fazer tudo como faziam até uma hora atrás, gerar a vontade (vislumbrar a necessidade) de inovar é começo da tão sonhada inovação em nosso setor muito falada, só falada. O futuro é hoje. Trazer so os cenários pensados de 2030 para 2020 é como poderemos acelear o mais importante segmento economico desde Século, a era da experiência plena começa em 2020, agora!

Aos parceiros e amigos, desejo sempre, mais e mais,

Suce$$0 !

Álvaro Ornelas

Imagem:
Gráfico:
Consultoria Deloitte, abril 2020.
Referências Bibliográficas:
MARINETTI, Filippo Tommaso, Declaration of Futurism, published in Poesia, Volume 5, Number 6, April 1909 (Futurist manifesto translated to English). Blue Mountain Project.
NOTAS DO AUTOR:
NOTA 1) Sobre o termo futourism: Neste artigo aplica-se ao “futuro do turismo”, porém o termo, FUTURISMO foi usado inicialmente no início do Século XX. O futurismo, veio do italiano, é foi um movimento artístico e sócia que enfatizou velocidade, tecnologia, juventude, violência e objetos como o carro, o avião e a cidade industrial.
NOTA 2) Álvaro ORNELAS é consultor em aceleração econômica de territórios. Diretor da OSN CONSULTORIA e criador do método SMART SEA. Texto publicado em 06.04.2020 no blog do autor:  https://ornelas10.blogspot.com/

Monday, 6 April 2020

FUtourism: o fim da regionalização como conhecemos.


A REGIÃO TURISTICA É POLÍTICA E EM NADA ADICIONA AO MERCADO REAL DOS TERRITÓRIOS TURÍSTICOS.

Álvaro Ornelas* 

A região é uma construção politica, que deveria melhorar a administração de um determinado território. Está divisão política limita o mercado turístico de forma que os esforços tanto públicos quanto os privados não somam a ponto de gerar resultados consistentes ao mercado turístico global.

Imagem: Certificado de Região Turistica, Feira de Santana BA
Ministério do Turismo,2019. 


A estruturação da regionalização turística do Brasil, foi necessária, porém no futourism do Brasil, seu papel é ser entendida como uma simples forma de organização POLÌTICA que deve auxiliar a aplicação de recursos públicos federais e estaduais em obras relevantes o suficiente para impactar nas dimensões e variáveis turísticas que comprovadamente reverterão em aumento do fluxo turístico. .

 Se região é forma da administração pública, como deve ser a forma de “vender” os atrativos turísticos locais para cliente e viajantes do mundo inteiro? Não há resposta pronta, demanda inteligente coletiva de um território, quem define o território turístico é esta capacidade de pensar, planejar, gerar lucros e retro-alimentar uma cadeia formatada para gerar uma experiência turística em um determinado território.


Não é algo imposto, ou definido em lei. É a união da mesma vibração profissional, é resultado da união de pensamentos diversos e até mesmo divergentes que formatarão o território turístico inteligente e que a única forma de sobrevivência no futourism do Brasil e nos demais países.

Foto: Alexandra Aranoch, Blog Café e Viagem, 2016.

Criar e pensar em espaços produtivos a partir das forças humanas é o esforço que deve criar, dentro de um território, produtos turísticos: experiências turísticas formatadas por empresários, experiências de uso da informação desenhadas em conjunto com as forças públicas e privadas, verdadeiras PPPs sem papel, por unidade territorial. Pode ser um município, dois ou 30, desde que estejam conectados na mesma vibração, mesmos objetivos e compreendam a força locomotriz do capitalismo e sua sobrevivência – é de fato o ser humano. O capitalismo também deve ser entendido como uma força que ajuda a despertar pessoas, e não deve ser entendido como esquemas e forma de trapaça (como é visto em geral), mas sim visto, no setor de viagens e serviços, com valores muito fortes de sustentabilidade porque o território turístico é aquele que consegue gerar negócios de forma sustentável e continuada.

O entendimento de que planejar não faz parte da realidade, é uma ideologia, não pode tratar o real, deve tratar do imaterial de futuro, por isto há muitas falhas no planejamento turístico pela falta deste entendimento. Outro aspecto é entender que:  não é “dever” do Estado prover o planejamento da experiência turística em um território, isto é dever dos empresários, na iniciativa privada, que investem milhões em resorts e estruturas de edu-entretenimento mas não visualizam o futuro de seu investimento ou nem mesmo analisam a expansão de market-share e aumento do  seu ROI, foco de todos no final do dia.

No segmento de viagens a melhor de iniciar o processo de planejamento é migrar o pensamento da desigualdade e “colher” entendendo o papel da DIVERSIDADE: cultural, étnicas, naturais todas as formas que compõem um território. Brasil um pais com 6 biomas, com uma mistura incrível de povos, com espaços criados com o DNA dos povos indígenas, do povo europeu, e depois, de forma cruel, mas hoje um ganho em nossa diversidade os povos africanos. Entender este  mix, em minha opinião empresarial é forma de garantir a competitividade e segurança para o futourism do Brasil.

Imagem: Mundo Marketing, reportagem as 10 marcas mais 
valiosas por terem a diversidade como foco. 

Então, planejar, o espaço. O que é espaço? É o resultado do uso humano. E o espaço tem o que há de mais valioso no mundo – as pessoas. Elas fazem a roda rodar e elas, as pessoas são as únicas capazes de promover o encontro, que para o segmento de viagens e hospitalidade, o encontro é o objetivo e foco do planejamento, só assim se garante em todas as dimensões e variáveis o desejado foco no mercado. É mais fácil do que se pensa garantir o aumento da produtividade por meio “melhor uso” humano.

Um exemplo claro de aumento da produtividade, onde o olhar humano fez a diferença. Um amigo consultor, certa feita, me relatou que há algum tempo prestou uma consultoria a uma renomada pousada catarinense destinada a uma cliente perfil “high-end” que identificou um problema: somente 2% dos contatos comerciais se transformavam em reservas. Hoje o indicador está em quase 20% (em menos de 4 meses), um resultado perfeito para uma consultoria profissional. Qual a mudança? Pessoas, todos os contatos realizados por mídias sociais ou e-mail passaram a ser respondidos por pessoas, sim, processo de comunicação “das antigas”, porém, também trouxe o elemento que o cliente high-end mais aprecia além do conforto e vista de tirar o fólego - o atendimento exclusivo, o acolhimento na potência máxima. Se não me engano, Leonardo Da Vince, foi quem disse “a simplicidade é o último nível de sofisticação”. Entender isto, como meu amigo consultor entende, é o que move os negócios de padrão luxo e exclusivo, ou seja, é o valor número um para este nicho.

Conhecimento sobre nichos de mercado e entendimento das demandas é o auxiliar a construção de uma experiência turística, única forma de gerar boas lembranças, e ainda mais tarde reverter em mais benefícios para o empreendimento que passa a ter um promotor quando o cliente volta a suas redes de relacionamento.

Tudo isto passa pelo alto grau de conhecimento para pensar experiências empresariais, interligadas em um território que deve ser “criado”, planejado com a visão 100% da iniciativa privada.

Ao Estado, o poder público, com seus “emaranhados” de Leis e propostas sem sincronização com a realidade empresarial, cabe a ele agora, prover investimentos em monitoramento, ser mais smart e aplicar a inteligência no dia a dia dos empresários de todos setores inclusive e talvez de maior relevância na hospitalidade local.  

E finalizando, o resumo é o entendimento de que a única estratégia existente é a macro diretriz territorial. O resto são programas e projetos que complementam as variáveis de unidade que formam o território. Um espaço de pessoas, para pessoas que merecem receber politicas públicas customizadas conforme a realidade. Não é possível pensar o Brasil ou pensar até mesmo pensar Santa Catarina, como uma politica publica única para geração de fluxo de viagens. Não dá certo, não deu certo.

O território turístico tem sua forma de dentro para fora, e não há modelo correto, somente a integração entre propostas de aceleração economia locais é que formam o espaço turístico nos territórios. É na prática o que acontece com Serra Gaúcha, onde cada cidade trabalha seus elementos de competitividade, a força empresarial obriga do poder público a dar apoio ao seu planejamento, não o contrário. Não há lei, não há plano, há conversas e há foco no mercado. Se os municípios daquele território dependessem do poder publico local ou estadual nada seriam. 
Imagem: Secretaria de Turismo de Bento Gonçalves (RS), Serra Gaúcha. 

Imagem: Secretaria de Turismo de Garibaldi (RS), Serra Gaúcha. 

Falo por ter trabalhado por quarto anos lá, e vi o nascer Bento Gonçalves e Garibaldi como destinos integrados ao território da Serra Gaúcha, assim como São José dos Ausentes, há 130 km, se integra ao mesmo território turístico, mesmo não fazendo parte da regionalização proposta pelo MTur e SETUR do RS. O que manda é o mercado é a capacidade de ver negócios e inovar nos negócios a todo momento. A regionalização turística é retrógada, é politica e em não gera resultados consistentes ao mercado.

Aos parceiros e amigos, desejo,

Suce$$o sempre, 

Ornelas. 

#TURISMOinteligente  #maisNEGOCIO#MUNICIPIOSinteligentes

*Ornelas é um think tank da Essência Náutica do Brasil. Foi o coordenador voluntário do GTT NAUTICO SC (2011-2017). Fundador e Presidente da ANCORA (Ass. Nacional de Cooperação em Redes de Apoio à Economia do Brasil do Brasil) também desenvolveu o Pólo Náutico de Tijucas por meio do conceito SMART SEA criado por sua empresa, a OSN CONSULTORIA. É sócios em marinas no Brasil e fundou o Complexo Náutico TMC.  

FONTE: 
OSN Consultoria, Florianópolis, SC, Brasil. 
https://www.osnconsultoria.com.br/serviços 

ANCORA da Economia do Mar, Itapema, SC, Brasil  

https://www.economiadomar.com.br/smart-sea

Referências Consultadas:
PwC, Global Entertainment and Media Outlook 2016 – 2020.
European Parliamentary Research Service, Global Trendometer: Essays on medium- and long-term global trends, 2016.
Airbus, Global Market Forecast 2016-2035.
Harvard Business Review, Labels like “Millennial” and “Boomer“ Are Obsolete, Nov 2016.
BARBOSA, L. G. Os impactos econômicos do turismo e sua implicação nas políticas públicas: o caso do município de Macaé-RJ. Lisboa: Cladea, 2002.
BARNEY, J. B. Firm resources and sustained competitive advantage. Journal of Management, 17, p. 99-120, 1991.
BLAKE, A., J. GILLHAM e M.T. SINCLAIR. CGE Tourism Analysis and Policy Modeling. In: International Handbook on the Economics of Tourism, ed. L. Dwyer e P. Forsyth, Edward Elgar, Cheltenham, 2006.
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